Bolsonaro pode cortar as asas de Santa Catarina?

Bolsonaro

Foto: TecMundo

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A política externa do presidente eleito Jair Messias Bolsonaro e seus possíveis desdobramentos para SC

 

Passados 10 dias do segundo turno já se pode dizer que as declarações do novo presidente eleito e da sua equipe de governo já trouxeram movimentações importantes no cenário político e, principalmente, econômico. Uma dessas declarações atinge frontalmente a atividade econômica de Santa Catarina.

Inicialmente cabe lembrar a posição que ocupa SC dentro do cenário econômico brasileiro: embora seja um estado pequeno em tamanho e apenas o 11º em população, Santa Catarina tem o 6º maior PIB dentre os estados – ou seja, o 6º que mais produz riquezas dentro do país. Boa parte dessa produção vem de dois setores: agroindústria e metal-mecânico. Destaca-se o primeiro, cujo destino é a exportação de carnes de aves, suínos e carne congelada. No segundo, exportam-se motores elétricos, peças para motores e bombas de ar. Essas exportações garantem ao estado posição de destaque na economia brasileira, ao atender mercados estrangeiros extremamente exigentes.

Dado isso voltemos ao novo presidente brasileiro e a sua futura política externa. No conturbado Oriente Médio, arrasado por disputas entre judeus e árabes, Bolsonaro sempre se posicionou favorável ao lado dos israelenses. A disputa entre os dois baseia-se especialmente no controle da cidade de Jerusalém, que detém importância e significados ímpares tanto para judeus quanto para árabes e cristãos. Eis que, para confirmar a sua posição, o novo presidente brasileiro já declarou que irá transferir a embaixada brasileira em Israel da cidade de Tel-Aviv (pacificada) para Jerusalém (alvo de disputa entre judeus e palestinos).

O desdobramento dessa posição para a economia catarinense surge do seguinte fato: Lembra que a maior parte da riqueza de SC vem da exportação de carnes de aves, suínos e congelados? Sabe quem compra mais de 90% dessa carne? Os árabes do Oriente Médio. E, ao saberem do posicionamento do presidente Bolsonaro, e logo após o anúncio feito pelo futuro presidente, os árabes já manifestaram que vão responder a ação brasileira com retaliações econômicas. Em resumo: vão suspender a compra de carnes de SC e estabelecer negócios com outros exportadores de carne. A agroindústria catarinense corre risco de passar pela mesma situação que a Rússia nos impôs ano passado, ao suspender a importação de carne bovina brasileira. A Rússia passou a importar carne bovina da Tailândia e o Brasil terá longos anos pela frente para tentar recuperar esse importante mercado.

As consequências de um simples posicionamento ideológico, batendo de frente com importantes parceiros comerciais do Brasil, traz (ou reforça) dúvidas quanto ao bom senso do futuro presidente. Cabe saber as consequências desse movimento estratégico em relação ao estado onde Bolsonaro obteve as melhores votações proporcionais da Eleição 2018.

 

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