Colunista do DC é substituído por motivo médico

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Foto: Roberto Scola / Agência RBS / Agência RBS

O escritor Marcelo Fleury, colunista do Diário Catarinense segue afastado desde ontem (14), motivos médicos. Ao Portal, a assessoria do Grupo NSC informou que Fleury foi afastado para tratar de questões pessoais. Não foi divulgado a data que o colunista voltará à coluna na página 2 do veículo.

Marcelo se empossou do espaço a pouco tempo, após saída de Rafael Martini para trabalhar na imprensa do Tribunal de Contas do Estado, em conjunto do colunista Cláudio Prisco Paraíso. Antes, Fleury participou da estruturação do site NSC Total.

Domingo (13), a coluna de Marcelo foi retirada da área digital do Diário Catarinense sem maiores explicações dos editores aos leitores. Na coluna, a informação é que o repórter Anderson Silva segue usufruindo do espaço.

Esta é a coluna que ele escreveu e foi retirada do ar:

“Há várias formas de decair.
Algumas, inclusive, pra cima.
Dizem que há 7,5 mil formas de decadência de um ser-humano. Estão catalogadas em A Breve História da Decadência Mundial (não procure pelo título, que o Google ou a Amazon vão te sugerir também Meu Deus, por que nada dá certo na minha vida?)
Nero foi um decadente. Embora alguns acham-no herói.
Esse é o dilema da decadência.
Xuxa também decaiu. Embora não tenha sido exatamente uma heroína.
A pele dos dois murchou, por motivos diferentes.
Há um fator fundamental: primeiro, na decadência física. Depois, na mental: a s 90 dicifcilmente você você lembra de moloque de 20 anos. Aos 90, tem sabedoria, mas é meio difícil você se lembra do neto que pegou a bengala para brincar de Star-Wars.
A inexorável.
Acontece contigo neste instante.
E você sabe qual é. Talvez o menino que pula no cross-fit não saiba, mas a decadência dele é outra.
Você é pior do que era antes. Essa é a sua decadência.
É a minha.
E você vai ser julgado por isso, no Apocalipse, quando Jesus voltar (ok, ele não volta, a Bíblia é uma invenção, mas vamos em frente).
Apocalipse. Digo, decadência.
Era um bom nome de um filme.
Como todo bom filme, há a virada que prende o telespectador. Em inglês, plot twist: É esta:
Cortei meus pulsos ontem.
Usei uma navalha, tinha pelos, lavei. Cortei.
Deitei com uma roupa que não me causasse vergonha. Deixei a porta aberta. Sei que morrrer com os pulsos cortados não é algo heróico. Mas queria sentir. Não deu. Dormi e pensei: morro ao longo do sono. Não funcionou,
Aí pensei em uma mulher. A que mais amei. Chama-se Melissa, mãe dos meus dois filhos. E a quem vi que fiz tudo de errado.
(Corta)
Peguei a faca de cozinha. A que corta churrasco. Saiu sangue. Achei que era a hora. Puxei minha bermuda, respirei e tentei dormir. Mas aí me deu sede. Ok, fui na cozinha, bebi água e voltei para a posição. Saía sangue. Mas tinha tempo de procurar no Google. Dizia: quem se mata cortando os pulsos é um frouxo.
Quê?
Comecei a cicatrizar tudo.
Todo mundo que conhece cinema sabe que, ao menos, há dois plot twists:
Este é segundo:
Essa foi a minha decadência. Meus filhos estão em Goiás, minha ex-mulher não fala comigo e eu não sei como eles estão. Tem vário assim. Vário colegas. Que talvez usem o Facebook para falar porque aqui, se a gente falar que o _____ gosta de _____, é cenurado. A morte do jornalismo é não acreditar no jornalismo. É frequentar trades com mais frequência do que as rerdações.
Plot final:
Mas antes, uma experiência bonita é dar o rabo até amassar a cara contra a parede.” 

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